Ônibus e seus condutores

Intervalo excessivo entre os ônibus de uma linha; motorista que não atende a solicitação de embarque e desembarque; direção do coletivo de forma perigosa; conduta inadequada do operador e destratar o usuário. Estas são as cinco queixas, nesta ordem, campeãs do ranking de reclamações registradas pela São Paulo Transportes (SPTrans) em 2011. São exatamente as mesmas que constavam na apuração feita pelo órgão em 2010. O que aumentou foi a insatisfação dos usuários que reclamaram cerca de 20% a mais de um ano para o outro. Em 2010, por exemplo, foram 38.139 queixas de intervalo excessivo entre um ônibus e outro da linha, número que saltou para 45.949 no ano passado.

No levantamento da SPTrans, as outras cinco reclamações mais frequentes dos usuários são: descumprir o horário ou não realizar as partidas programadas; motorista não aguardar o embarque e desembarque para arrancar com o veículo; coletivos com superlotação; interromper ou atrasar propositalmente a viagem e por fim, falta de limpeza dos ônibus.

Apesar da SPTrans ressaltar que, assim como o volume de reclamações, também aumentou a quantidade de autuações aplicadas às empresas que detém as linhas da cidade – foram emitidas 196.917 multas em 2011; o que chama a atenção é que das dez queixas mais frequentes, pelo menos seis delas estão diretamente relacionadas ao comportamentos dos motoristas. No ano passado, foram 28.346 protestos de usuários que não tiveram a solicitação de embarque atendida. Outros 16.779 ligaram para a Prefeitura para denunciar direção perigosa e 13.847 entenderam que o condutor agiu de maneira inadequada.

Isso significa que a insatisfação do usuário provavelmente vai continuar mesmo que a Prefeitura consiga criar novos corredores, aumentar a frota e disponibilizar mais linhas, já que, como aponta o levantamento, o problema não é apenas estrutural, mas também de educação e preparo adequado (ou falta de) destes profissionais que têm a importante função de transportar centenas de pessoas diariamente.

Diante desta constatação é vital que a Prefeitura intensifique ainda mais a fiscalização e comece a frear, literalmente, os apressadinhos que são vistos aos montes pelas vias. Aos usuários a recomendação é que exerçam seu legítimo poder de denunciar. Isto pode ser feito através do telefone 156 ou do sitewww.sptrans.com.br/sac. É importante anotar o maior número possível de dados (número da linha, horário e local em que ocorreu o problema) para que a reclamação possa ser realmente apurada e o infrator punido, se assim for necessário. A esperança é que, com o tempo, as empresas que se proprõem a prestar este serviço entendam que sairá mais barato treinar adequadamente seus funcionários do que sofrer constantes sanções da Prefeitura. Caso isso não ocorra, cabe ao governo municipal dar um basta nesta situação e começar a buscar novos prestadores de serviço. O que não pode é permitir que seus cidadãos que, pagam caro pela tarifa do transporte, continuem maltratados.

 

Fonte: http://www.folhavp.com.br/editorial.html


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Comentários para “Ônibus e seus condutores”

  1. Claudio Silva disse:

    E quando o condutor ou o cobrador é xingado pelo usuário a quem ele deve recorrer??

    Se o usuários está fora do ponto e liga reclamando dizendo que estava no ponto a quem o condutor deve recorrer?